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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Nasa iniciará um estudo para a investigação do impacto de tempestades solares na rede elétrica

   A Nasa (Agência Espacial Americana) dará início até o final deste ano de um estudo inédito que vai utilizar linhas de transmissão como grandes antenas para a medição eventos do clima espacial que podem ter efeitos devastadores sobre as redes de energia elétrica e consequentemente sobre a sociedade como um todo. O estudo liderado pelo cientista Antti Pulkkinen do Goddard Space Flight Center da Nasa e terá duração prevista de dois anos. Inicialmente serão utilizadas linhas de transmissão de energia em alta tensão operadas pela Dominion Virginia Power para a medição das chamadas correntes geomagneticamente induzidas (GICs) em tempo real o que irá melhorar sensivelmente a base de conhecimento sobre o assunto.
   As GICs podem surgir em aproximadamente 3 dias após a ocorrência de grandes explosões solares que  lançam ao espaço uma grande quantidade de massa coronal (partículas eletricamente carregadas). A interação entre as partículas solares e a magnetosfera terrestre podem resultar em flutuações do campo magnético do planeta e no surgimento de grandes correntes elétricas no solo. Tais correntes podem trafegar pelo sistema elétrico, desligando instalações e queimando equipamentos. Um exemplo de consequência deste tipo de evento foi observado no Canadá quando 6 milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica.  
   Outros sistemas potencialmente afetados são: telecomunicações, oleodutos, gasodutos e ferrovias.
Segundo o USGC (Serviço Geológico dos Estados Unidos) um grande apagão apenas no nordeste dos Estados Unidos poderia resultar em perdas financeiras de 10 bilhões de dólares sem falar em problemas na segurança pública e em serviços de emergência. O governo americano está extremamente sensibilizado com o problema e vem coordenando através da Federal Energy Regulatory Commission medidas de prevenção para o problema.
   O trabalho da Nasa contará com três magnetômetros comerciais, dois instalados sob uma linha de transmissão e o terceiro a 2 km de distância e que será utilizado como referência. Os dados dos magnetômetros serão coletados através de uma rede de telefonia celular.
Segundo Pulkkinen o sistema desenvolvido é de baixo custo para que possa ser replicado no futuro para outras instalações da rede elétrica nacional e para outros países.
 
Nota da EMField: o Brasil com suas redes elétricas de alcance continental e com uma grande anomalia magnética na parte sul do país deveria realizar estudos semelhantes e principalmente desenvolver planos de contingência quando da ameaça do desenvolvimento de grandes GICs em seu território.
A EMFIeld possui magnetômetros do tipo Fluxgate de alta precisão capazes de monitorar o campo magnético terrestre com altíssima precisão.

Fonte original da notícia em inglês:  clique aqui.

Interferência Eletromagnética no Espaço Sobre o Brasil - A Anomalia Magnética do Atlântico Sul

Na região sul do Brasil, com o centro situado entre o litoral e o mar existe uma grande anomalia no campo magnético do planeta.
A visão que temos sobre o campo magnético terrestre ( e que normalmente aprendemos na escola) é que existem dois polos magnéticos bem definidos no planeta, o norte e o sul. Neste caso as linhas de campo resultam em um modelo bem comportado e simétrico das linhas de campo no entorno do planeta.
A realidade porém, é muito diferente do modelo ideal que conhecemos. A Terra possui diversas regiões com anomalias em que o campo é maior ou menor que o esperado, o que distorce as linhas de campo que circundam o planeta. A maior anomalia de todas é conhecida como Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) – na literatura técnica a anomalia é conhecida pela sigla SAA (vem do inglês: South Atlantic Anomaly). Na região da AMAS o campo magnético é muito inferior ao esperado.
O campo magnético terrestre mantém afastadas do planeta as partículas eletricamente carregadas que viajam pelo espaço. Caso tais partículas e radiações de origem cósmica penetrassem a atmosfera a Terra seria um planeta estéril e sem vida. As partículas barradas pelo campo magnético terrestre circulam o espaço ao redor do planeta no que é conhecido com Cinturão de Van Allen e que normalmente possui uma altitude de 1000 km a 5000 km.
Devido ao baixo campo magnético na região da AMAS o cinturão de Van Allen fica muito mais próximo à superfície do planeta. Desta maneira, satélites, telescópios e a Estação Espacial Internacional - ISS sofrem problemas de interferência eletromagnética quando sobrevoam a região sul do Brasil. Isto ocorre devido ao cruzamento com as partículas carregadas do cinturão do Van Allen, baixo nesta região.
Os problemas relatados são: queima de componentes eletrônicos, dificuldade de comunicação, operação errática e outros. Até mesmo os astronautas são afetados quando atravessam a região. Alguns deles relatam manchas na visão, o que é ocasionado pela interação entre compostos químicos presentes nos olhos e as partículas carregadas. O problema ocorre apesar da blindagem eletromagnética que recobre a Estação Espacial Internacional .
Alguns satélites e o telescópio espacial Hubble desligam preventivamente diversos dos seus sistemas quanto atravessam a região. A AMAS é objeto de diversos estudos, especula-se que a mesma está em permanente deslocamento ou mesmo ampliação. Espera-se que a ciência consiga verificar se as especulações possuem fundamento.
texto: EMField Engineering do Brasil/Eng. Ricardo Luiz Araújo
, site: www.emfield.com.br 

Campo magnético terrestre, a região em azul claro (campo magnético baixo) é a anomalia magnética do atlântico sul - AMAS (SAA), a imagem é da Nasa